quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Final de ano

Quando eu abro a porta do armário e vejo o calendário, o dia, o mês, o dezembro indo embora e as horas do dia
percebo que não tenho mais o que fazer, mas tudo bem, não há nada demais.
Contudo eu começo a ficar em silencio por mais tempo do que de costume, quero privacidade
quando era importante se fazer presente, agora só quero ficar inerte...
Não gosto que me peçam coisas, não gosto que me tirem palavras que eu não quero dizer

Eu gosto do meu silêncio, e ficar dentro dele apenas matutando comigo mesmo
não faço questão de nada, não me interesso por nada, eu me guardo pra quando for preciso
por tudo que eu planejei, eu respeito as lembranças, mas não me recordo de nada
acredito que não seja só eu, mas de qualquer forma o que importa é que nada ultimamente importa
podem dizer que eu fico arrogante nessa época, se esta for a sua forma de deduzir atos
Se já não faço questão de olhar para as pessoas nos olhos, nessa época eu até evito a presença
eu prefiro evitar o acaso.

Parece que estamos embalados demais indo em direção a um grande muro
esse clima todo é hostil, inseguro, são festas, viagens e muito contato físico
tudo parece perder o gosto, o sabor, o toque fica mais rude

o ano acaba mas tudo ainda é novo como sempre
eu já vi essa figura perdida no baralho
por isso me chame quando fevereiro acabar
não há nada que eu possa te dizer agora, estou entorpecido
sem pensar direito, sem vontade de sorrir amarelo
estou apenas quieto, tentando permanecer vivo entre estes meses
é a insegurança travestida de silencio.

Matheus Longaray

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vizinhos, o reflexo

Vizinhos, a pior especie do preconceito...
vizinhos chatos, vizinhos velhos, vizinhos drogados
Em toda minha vida nunca tive um vizinhos legais, isso que já morei em 4 casas
e por essa experiencia de vizinhos eu já deduzi que ninguém aceitaria morar ao lado de alguém diferente
uma banda de rock ou jazz já é caso de policia no quarteirão

E o pior de tudo é esse preconceito com a vida alheia
bem estar é estar todos iguais, enjaulados na própria casa
vendo novela, assistindo jogo de futebol às quartas
e todo tipo de coisa que nos deixa alienado, um desperdício

A parte do egoísmo mais visível da nossa sociedade
está estampada nas nossas moradias
não somos livres nem mesmo dentro das nossas casas
temos que obedecer a "lei" de ter vizinhos
e aí você envelhece

Meu vizinho mata os gatos que entram no seu pátio
pois ele acha que eles podem estragar suas plantas
meu outro vizinho é um traficante
que enche essa rua de drogados nos finais de semana
Já tive vizinhos que batiam na própria mulher
e outros que roubavam da própria mãe

Vizinhos, vizinhos, vizinhos
sem querer acabamos entrando nas suas vidas
nunca pra ajudar, apenas pra falar pros outros
então quando você enlouquece
eles acham um motivo pra te julgar

essa é a nossa sociedade e seus "bons" costumes
onde se trancamos no nosso útero de cimento
e fingimos um sorriso de orelha à orelha
nos finais de semana e feriados.

Matheus Longaray

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Detenção

Aqui estou eu, único e avulso
meus tempos de colégio acabaram
um dia ia ter fim, ainda nem acredito...
porém, aquela sensação de ter deixado algo para trás
nunca sumiu, e parece que ela só aumenta.

Os meus amigos da escola sumiram, de repente.
uns estudam outros trabalham, outros até preferi a distancia.
Mas sempre tem aqueles que carregamos no coração...
contudo, depois de acabar o teu ultimo ano na escola
os caminhos se separam e aquele sexteto ou trio
tomam rumos diferentes.

Aqueles que eu tinha mais afinidade acabam seguindo suas vidas individualmente
aquelas junções que eram habituais, acabam se tornando raras
ninguém tem mais tempo para as tuas ideologias, ninguém quer mais os teus conselhos
ninguém quer ouvir o teu desabafo, por fim tu entende que cresceu
Ainda que tu for e foste o mais radical entre eles, entenda que eles não eram iguais a ti
tu apenas os colocou no papel que tu gostaria que eles fossem
demorei pra entender, me ceguei por completo.

As prioridades mudaram, e a ficha caiu, aquele tempo não vai voltar
e tu, o radical, parece não ter mudado...
e quem sabe até as namoradas deles não gostarem de ti por tu ter influenciado eles a serem algo
que tu queria que eles fossem, ou de ter influenciado em alguma personalidade rebelde deles.

Tu ainda segue os teus sonhos bobos, enquanto eles se enjaulam
mas tu ainda não amadureceu, não sabe de nada
tua concepção está naqueles tempos de colégio
e por mais que me digam, eu ainda não quero crescer.


Matheus Longaray

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Psicologo

- Fabio, entenda, se você não falar nada, não terei como lhe ajudar. disse o psicologo
- tudo bem. respondi. - Há alguma maneira de eu me abrir superficialmente?, perguntei.
- A não ser que queira um tratamento superficial. Respondeu aquele fodido.
E o silencio tomou conta do lugar, mas no entanto, quebrei-o me abrindo assim como ele queria...
- Tudo bem, charles, tudo bem, eu tenho uma vontade imensa de enforcar minhas colegas de trabalho. Disse-lhe
E então sem nem mesmo me perguntar o porque, ele me olha nos olhos com um olhar sínico e me pergunta:
- apenas isso?.
Tive vontade de enforca-lo naquele momento, junto com as minhas colegas de serviço.
e continuou:
- Fabio, você aparentemente sofre de estresse...
Naquele momento sim! eu quase voei no pescoço daquele babaca; Na semana passada minha ex mulher disse a mesma coisa
não pago para um psicologo me dizer isso.
- Charles, meu amigo, até meu chefe do trabalho, aquele bossal que só sabe mandar e suar, sabe disso...
o que mais tu tem pra me dizer? que preciso de remédios??.
Voltei para casa, estressado.